REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA DA REDE HIDROGRÁFICA E SUAS LIMITAÇÕES NA QUANTIFICAÇÃO DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE

Resumo

Cartas da rede hidrográfica elaboradas por instituições governamentais têm sido utilizadas para delimitação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) no Brasil, mas são frequentes os problemas decorrentes de discrepâncias entre essas cartas e a verdade terrestre. Para caracterizar e quantificar essas discrepâncias, quer sejam metodológicas ou decorrentes da escala dos mapas ou de mudanças temporais, mapeamos as nascentes e cursos d’água em cinco imóveis rurais (totalizando 10.860 ha, nos municípios de Brotas e Ribeirão Bonito, SP) e comparamos com a rede hidrográfica regional mapeada pelo IBGE e pelo IGC. Verificamos, para a região de estudo, superdimensionamento de 157% no número de nascentes e de 83% na extensão dos cursos d'água pelo IBGE e de 209% no número de nascentes e de 84% na extensão dos cursos d'água pelo IGC. Consequentemente, ambos os mapas resultam em superdimensionamento também das APPs. Consideramos, portanto, que tais cartas podem ser utilizadas como referência aproximada da rede hidrográfica, mas não podem oferecer embasamento para nenhuma decisão jurídica ou de planejamento ambiental sem que sejam devidamente corrigidas por uma verificação em campo.

Biografia do Autor

Mário Guilherme de Biagi Cava, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP)

Engenheiro Agrônomo pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), mestre e doutor em Ciência Florestal pela Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (FCA, UNESP-Botucatu). Atualmente é pós-doutorando junto ao Laboratório de Ecologia Vegetal, do Instituto de Biociências, da Universidade Estadual Paulista (UNESP, Rio Claro). Tem experiência em ecologia aplicada à conservação e restauração de ecossistemas, especialmente no contexto da sustentabilidade de propriedades rurais.

Eliane Akiko Honda, Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA)

Engenheira Florestal pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (ESALQ-USP), mestrado em Ciências Florestais pela Universidade de Iwate, no Japão (1993) e doutorado em Ciências da Engenharia Ambiental pela Escola de Engenharia de São Carlos, USP (2013). Atualmente está sediada na Floresta Estadual de Assis, sendo pesquisadora científica no Núcleo de Conservação da Biodiversidade do Instituto de Pesquisas Ambientais da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Atua especialmente na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Hidrologia Florestal, atuando principalmente nos temas: uso do solo, manejo de bacias hidrográficas, processos hidrológicos, monitoramento hidrológico.

Carolina Pedrotti Tavares , Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP)

Graduação em Ecologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2008), especialização lato sensu em Geoprocessamento pelo Centro Universitário SENAC (2011). Atualmente atua como consultora ambiental na área de licenciamento ambiental; planejamento, adequação e regularização de imóveis rurais; e elaboração de estudos ambientais com ênfase em análises espaciais e conservação de ecossistemas."

Giselda Durigan, Instituto Florestal (IF)

Graduada e mestre em Engenharia Florestal pela Universidade de São Paulo, doutora em Biologia Vegetal pela Universidade Estadual de Campinas. Fez pós-doutorado em Fitogeografia junto ao Royal Botanic Garden, em Edinburgh, Escócia. Atualmente é pesquisadora científica do Instituto Florestal do Estado de São Paulo e professora credenciada junto aos Programas de Pós-graduação em Ciência Florestal (UNESP) e Ecologia (UNICAMP). Desenvolve pesquisas em regiões de Cerrado e Mata Atlântica, atuando especialmente em Ecologia Aplicada à Conservação e Restauração de Ecossistemas.

Publicado
2022-08-18
Seção
Artigos