Atividade física, depressão e população idosa
um estudo bibliométrico
DOI:
https://doi.org/10.5016/bjsphd.v2i1.20134Palavras-chave:
Bibliometria; Depressão Exercício Físico; Idoso; SexismoResumo
Objetivo: Mapear a evolução global da produção científica sobre atividade física e transtornos depressivos em idosos (2015–2025) e revelar vieses estruturais na literatura. Método: Foi conduzida uma análise bibliométrica de 9.876 documentos indexados na base SCOPUS. Os dados foram processados nos softwares Rayyan (triagem cega), Biblioshiny (detecção de tendências) e VOSviewer (análise de redes). Aplicou-se uma estratégia de filtragem seletiva para reduzir o ruído semântico e revelar clusters temáticos genuínos. Resultados: A produção científica quadruplicou na última década, com um salto de 47,9% durante a pandemia de COVID-19 (2020–2021), redirecionando o foco para ensaios clínicos. A análise de rede revelou um viés de gênero crítico: enquanto a saúde feminina é central nos clusters de saúde mental, a saúde mental masculina aparece “invisível”, estatisticamente submersa nos grupos de doenças cardiovasculares. Além disso, identificou-se uma dicotomia entre as intervenções físicas (ensaios clínicos robustos) e os desfechos psicossociais (fragmentados por escalas psicométricas heterogêneas). Considerações finais: Embora a atividade física esteja consolidada como pilar não farmacológico na gerontologia, a área sofre com a fragmentação metodológica. Pesquisas futuras devem priorizar desenhos longitudinais e a padronização de instrumentos para superar o atual cenário de dados desconexos. Adicionalmente, há uma necessidade urgente de abordar a perspectiva do envelhecimento masculino, indo além do tratamento da depressão somente como uma comorbidade somática.
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