O futebol e as redes sociais digitais

o impacto do ciberespaço na categoria de base

Autores

  • Fernando de Lima Fabris Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho"
  • Adriane Beatriz de Souza Serapião Doutora em Ciências Biológicas. Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), Rio Claro – SP, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.5016/bjsphd.v2i1.20053

Palavras-chave:

Redes Sociais Digitais; Futebol; Ciberespaço; Desafios Futuros; Desenvolvimento Humano; Tecnologia

Resumo

Este estudo investiga a complexa relação entre atletas das categorias de base do futebol e as redes sociais digitais, analisando padrões de uso, motivações e os impactos percebidos em suas carreiras. Utilizando uma metodologia de métodos mistos, a pesquisa combinou um grupo focal qualitativo com atletas sub-15 e um questionário quantitativo com 40 atletas sub-17. Os resultados revelam uma imersão digital total, com 100% dos participantes utilizando o Instagram. O uso é estratégico: além da socialização, as plataformas servem como ferramenta para a construção de uma marca pessoal precoce, onde os jovens atletas selecionam cuidadosamente o conteúdo a ser postado, priorizando "os melhores lances" e omitindo erros. Notavelmente, os atletas demonstram grande resiliência psicológica. A maioria encara as críticas como um incentivo para melhorar (75%) e não se abala com a falta de engajamento (60%), mantendo uma hierarquia clara onde o "futebol é vida" e as "redes sociais são um passatempo". O achado mais crítico do estudo é o hiato institucional existente. Enquanto 73% dos atletas do questionário afirmaram receber orientação do clube sobre o uso das redes, o grupo focal negou unanimemente, revelando que as políticas atuais são baseadas em proibições, como restringir o acesso à internet, as quais os jovens admitem contornar. A pesquisa conclui que o atleta de base moderno é um ator digital sofisticado, que gerencia sua imagem e utiliza as redes para aprender. No entanto, essa autonomia se desenvolve à margem de um suporte institucional eficaz. O estudo recomenda que os clubes substituam a proibição pelo diálogo, implementando programas de letramento midiático que preparem os jovens para os desafios do ambiente digital, reconhecendo que a formação do atleta no século XXI é inseparável de sua formação como cidadão conectado.

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Publicado

2026-02-28

Como Citar

de Lima Fabris, F., & de Souza Serapião, A. B. (2026). O futebol e as redes sociais digitais: o impacto do ciberespaço na categoria de base. BRAZILIAN JOURNAL OF SPORT PSYCHOLOGY & HUMAN DEVELOPMENT (BJSPHD), 2(1). https://doi.org/10.5016/bjsphd.v2i1.20053

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