Cartografia sobre natureza no currículo de Ciências da cidade de São Paulo: “qual natureza”?
DOI:
https://doi.org/10.18675/1981-8106.v35.n.69.s17771Palavras-chave:
Currículo de Ciências. Natureza. Discursividade. Sustentabilidade.Resumo
O presente artigo faz uma cartografia do currículo de Ciências da Cidade de São Paulo, utilizando como ferramentas abordagens teóricas como a filosofia da diferença: estudos feministas, queer e decoloniais. O objetivo é analisar o conceito de natureza presente no currículo, discutindo a ausência de uma definição evidente de natureza no currículo, o que acaba por refletir uma visão universalista e excludente, que pautam subjetividades e práticas de ensino. Além disso, problematiza a ferramenta de ensino por investigação e como esta está aliada à (em)formação de competências alinhadas com a sociedade pós-moderna. A partir de linhas referentes aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, avalia-se o conceito de sustentabilidade, presente no currículo, e como, na prática cotidiana, cria-se novos mercados e consumidores, distanciando-se da preservação da vida em sua plenitude. A crítica ao currículo se dá a partir de como ele perpetua formas capitalísticas de se viver e invisibiliza saberes não hegemônicos. O texto também aborda como os discursos científicos e as práticas de ensino moldam subjetividades, criando corpos e mentes flexíveis e em constante conexão com os objetivos do neoliberalismo. O artigo conclui propondo uma ressignificação do ensino de Ciências, evidenciando multiplicidades e possibilitando novas formas de existência.
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