A captação da experiência interseccional na Educação: revisão integrativa sobre estudos qualitativos
DOI:
https://doi.org/10.18675/1981-8106.v.36.n.71.s18970Palavras-chave:
Interseccionalidade. Equidade. Educação. Estudos qualitativos. Metodologia.Resumo
A interseccionalidade vem se mostrando como ferramenta conceitual e metodológica em estudos que tentam captar as consequências dos sistemas de opressão/subordinação em indivíduos e grupos. Esta pressupõe a importância de compreender os dinamismos entre diferentes marcadores identitários (raça, classe, gênero, sexualidade etc.) nas experiências de opressão, subalternidade e exclusão. Em vista disso, este artigo teve como objetivo investigar estudos qualitativos e empíricos com perspectiva interseccional que analisaram fenômenos equitativos no contexto educacional. A partir de uma revisão integrativa da literatura científica nacional e internacional, buscou-se sobretudo analisar a construção qualitativa da interseccionalidade e os instrumentos metodológicos mais utilizados para a captação da experiência interseccional. Os resultados apontaram aumento na quantidade de publicações relacionadas ao tema na área da Educação, uma ênfase maior na intersecção dos marcadores de raça, classe e gênero, e a prevalência da entrevista como instrumento que construiu um processo de captação por meio dos discursos individuais dos participantes. Logo, foi possível refletir sobre os processos de captação da experiência interseccional por meio de três modalidades: fragmentação, integração e articulação. Espera-se com a análise realizada contribuir tanto para as discussões sobre interseccionalidade e equidade como para o potencial da interseccionalidade em estudos qualitativos.
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