A escrita na construção da identidade: uma prática em EJA

Autores

  • Roseana Costa Leite UNESP- Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara
  • Ana Paula Rossi UNESP- Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara

Palavras-chave:

educação de jovens e adultos, pesquisa, docência, auto-estima

Resumo

O trabalho aborda o desenvolvimento de um Projeto de Educação de Jovens e Adultos de uma instituição acadêmica, num bairro periférico do município de Araraquara. A partir das observações realizadas pelos educadores, o fato de que o processo de ensino-aprendizagem desencadeia, além do progressivo domínio do código escrito e do processo lógico, alterações na vida cotidiana dos alunos e na construção de sua auto-estima, considerou-se a necessidade de rever os critérios adotados na avaliação da educação de jovens e adultos, tendo em vista que os dados centrados no processo de escolarização, strictu sensu, parecem desconsiderar outros processos importantes. Percebeu-se ainda que os próprios graduandos, na posição de educadores, experimentam o questionamento acerca de sua própria formação, concepções e aspirações, pois o contato com uma determinada realidade, que exige esforços de análise e ação, também produz efeitos em sua vida acadêmica e pessoal. Neste sentido, formulou-se a proposta de desenvolver os conteúdos escolares do ensino fundamental, a partir da escritura autobiográfica dos educandos/educadores participantes. Neste trabalho buscou-se detectar e integrar elementos, presentes no processo ensino-aprendizagem, de reconhecimento de si, da realidade histórica vivida e da invenção de si, numa perspectiva de mudança desta realidade. Para a fundamentação da pesquisa partimos do estudo sobre o conceito de ressentimento social, tal como formulado em Maria Rita Kehl (2004), para caracterizar o aspecto da baixa auto-estima e desmobilização política existente entre os educandos participantes, cujas condições, econômica e social, impõem determinantes na qualidade e dignidade de vida dos mesmos. A concepção de educação que norteia toda a investigação encontra-se em Paulo Freire, que sinteticamente denominamos educação para a emancipação e para a liberdade. Também para a fundamentação da abordagem pedagógica utilizamos os conceitos de memória e sociedade enunciados por Ecléa Bosi (1994). O mote será o trabalho com o código escrito literário, estímulo para o avivamento da memória que recupera a leitura pessoal e social e permite a re-construção das relações com os saberes escolares e do imaginário social. A escrita auto-biográfica, denotada pela atividade literária e epilinguística, torna-se a base para a exploração dos conteúdos das várias áreas do conhecimento, seja histórica, geográfica, lógica matemática, ciências físicas e biológicas.

Biografia do Autor

Roseana Costa Leite, UNESP- Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara

Professora Assistente Doutora do Departamento de Ciências da Educação

Ana Paula Rossi, UNESP- Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara

Licenciada do Curso de Ciências Sociais

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Como Citar

LEITE, R. C.; ROSSI, A. P. A escrita na construção da identidade: uma prática em EJA. Educação: Teoria e Prática, [S. l.], v. 19, n. 33, 2009. Disponível em: https://www.periodicos.rc.biblioteca.unesp.br/index.php/educacao/article/view/3217. Acesso em: 14 jun. 2024.

Edição

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Artigos